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As maravilhosas gravuras a céu aberto do Vale do Côa

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Venha conhecer a arte primitiva da Humanidade no Vale do Côa!

Catarine Martins

Catarine Martins

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Viajar pelo Douro é sempre uma experiência tão única quanto inesquecível. Repleto de paisagens de cortar a respiração e de recantos que escondem verdadeiros tesouros, a região duriense é dona de uma beleza singular que não deixa ninguém indiferente. E um dos lugares mais pitorescos da região é, precisamente, o Vale do Côa.

 

Um museu ao ar livre

Provavelmente já terá ouvido falar deste magnífico museu a céu aberto. Considerado Património da Humanidade pela UNESCO em 1998 e Monumento Nacional, o Vale do Côa - situado nas margens do Rio Côa (um dos afluentes do Rio Douro) -, guarda nas rochas de xisto o mais importante museu de arte rupestre paleolítica a céu aberto.  São mais de mil as rochas com manifestações rupestres onde gravuras e desenhos perpetuados na pedra, em mais de 80 sítios diferentes, sobreviveram à Natureza e ao Homem por mais de 25000 anos.

O sítio de interesse arqueológico divide-se em dois eixos fluviais principais: um deles ao longo do rio Côa (sensivelmente 30 quilómetros) e o outro ao longo de 15 quilómetros pelas margens do Rio Douro.

Uma rocha pré-histórica neste local considerado Património da HumanidadeUma rocha pré-histórica neste local considerado Património da Humanidade
Um incrível museu a céu aberto no DouroUm incrível museu a céu aberto no Douro

Com efeito, a região apresenta um valor histórico e arqueológico inigualável, tendo os painéis de arte a céu aberto, origem no Paleolítico Superior. Ou seja, os nossos antepassados mais longínquos não só viveram ali, como nos fizeram testemunhas da sua existência gravando na pedra desenhos de animais como cavalos, bois, veados e cabras, e também representações humanas e abstratas.

Estudos arqueológicos chegaram à conclusão que, na época, foram quatro as técnicas usadas para eternizar as gravuras rupestres na pedra: incisão fina, abrasão, picotagem e raspagem.

Contudo, embora a sua origem remonte ao Paleolítico, a verdade é que nas rochas de Vale do Côa é possível observar gravuras e representações de eras pós-Paleolítico, havendo vestígios de pintura. Com efeito, há representações do Neolítico e Calcolítico, da Idade do Ferro, e até de uma era mais recente (sensivelmente entre os séculos XVII e XX), onde é possível observar que os moleiros que viviam na região na época gravaram o seu quotidiano na pedra. Assim, foram eles os últimos gravadores do fundo deste belíssimo Vale, cuja paisagem circundante é absolutamente arrebatadora.

E, embora os habitantes da região estivessem ao corrente da existência desta herança arqueológica, só mais tarde se deu conta da existência, no Vale do Côa, de gravuras primitivas raras, qual tesouro escondido por milénios nas rochas de xisto. Aliás, apenas aquando das obras da Barragem do Rio Côa (entretanto suspensas), as descobertas foram encaradas com seriedade. Foi então que o Vale do Côa não só recebeu a classificação de Monumento Nacional, como também a de Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, o que ajudou (e muito) à preservação arqueológica deste tesouro.

Gravuras e representações tanto do Paleolítico, como de eras pós-PaleolíticoGravuras e representações tanto do Paleolítico, como de eras pós-Paleolítico
Aventure-se pelas belíssimas paisagens que emolduram o rio CôaAventure-se pelas belíssimas paisagens que emolduram o rio Côa

Uma experiência arrebatadora

Consequentemente, conhecer o Vale do Côa é não só ter uma aula de História a céu aberto como deixar-se conquistar por paisagens tão únicas quanto esplendorosas.

Assim, embarcar numa viagem pela região onde no início da primavera florescem as amendoeiras e no outono as vinhas se pintam das cores do fogo, com leves pinceladas em tons de violeta, é não só uma boa ideia como a certeza de momentos incríveis.

Sugerimos-lhe, portanto, que embarque connosco a bordo do Cruzeiro Régua - Pocinho - Régua onde, para além de fazer um Cruzeiro pela belíssima região do Douro, contemplando paisagens apenas possíveis de apreciar a partir do rio, com almoço servido a bordo e vinho do Porto para se deliciar com o que de melhor se faz na região, irá visitar o Museu do Vale do Côa onde toda a mostra arqueológica patente no Vale do Côa está contextualizada, permitindo aos visitantes não só compreender a magnitude daquele que é o maior museu a céu aberto do mundo, como também as próprias gravuras e desenhos. No fim da visita, tomar um café ou um chá na cafetaria do Museu é uma experiência deliciosa, uma vez que oferece uma vista deslumbrante que vale a pena apreciar (e fotografar).

Aliás, os arqueólogos e historiadores recomendam a visita ao Museu do Vale do Côa antes mesmo de se aventurar pelos núcleos arqueológicos propriamente ditos. Assim, visitar o museu é quase obrigatório, sobretudo para quem acredita que só é possível compreender o presente se conhecermos a História.

O Museu do Côa, o portal que permite começar a descobrir a arte rupestreO Museu do Côa, o portal que permite começar a descobrir a arte rupestre
Embarque no nosso Cruzeiro e prepare-se para descobrir verdadeiros tesourosEmbarque no nosso Cruzeiro e prepare-se para descobrir verdadeiros tesouros

 Na verdade, apenas três núcleos arqueológicos podem ser visitados pelo público: Canada do Inferno, Penascosa e Ribeira de Priscos. As visitas são realizadas em grupos de, no máximo, 8 pessoas e são sempre guiadas por agentes autorizados ou por guias do Museu do Vale do Côa. E no núcleo arqueológico de Penascosa, a visita pode ser realizada à noite, com recurso a luzes artificiais. Ou seja, é uma experiência absolutamente única.

 

Como vê, o Vale do Côa encerra um ciclo artístico deslumbrante e as paisagens que o circundam são, também elas, de cortar a respiração. Não perca a oportunidade de conhecer o Vale do Côa, este verdadeiro tesouro nacional. Não se vai arrepender.

Catarine Martins

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