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Douro Internacional: uma pintura de montanhas e penhascos

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Tudo o que precisa de saber sobre o belo e selvagem Douro Internacional.

Catarine Martins

Catarine Martins

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Provavelmente já ouviu falar do Parque Natural do Douro Internacional, um dos mais bonitos e recônditos lugares do norte do país.

Com efeito, o Douro Internacional é uma zona de planalto transmontano, onde o Rio Douro - majestoso na sua beleza - talha um vale em garganta, marcando ali a fronteira entre Portugal e Espanha, que leva o nome de Meseta Ibérica.

E, claro, o cenário natural que se traduz num vale profundo e escarpado - com altitudes que chegam aos 800 metros - sendo escavado pelo Rio Douro é de uma beleza ímpar e avassaladora. Ali, a natureza no seu estado mais puro deslumbra-nos com o seu esplendor.

 

Os magníficos Miradouros do Douro Internacional

Não é por isso de admirar que sejam vários os miradouros na região que prometem vistas arrebatadoras sobre um Douro profundo, onde o canto dos pássaros e o ar puro imperam. Entre eles, contam-se, por exemplo, o Miradouro de São João das Arribas onde para ver o Rio Douro a correr, plácido, é preciso ir até à beirinha do Miradouro, uma vez que o Rio corre encaixado no vale.

O Miradouro da Freixiosa merece também nota, uma vez que oferece algumas das mais bonitas vistas sobre o Douro Internacional. É um lugar em que nos apetece demorar e respirar o ar puro da região.

Também o Miradouro da Fraga do Puio que, além da vista inesquecível permite ver uma figura desenhada nas rochas a que se dá o nome de “Arqueiro”, traduzindo-se na prova de que a presença humana do Douro Internacional data de há milénios (apesar da criação do Parque Natural do Douro Internacional só ter acontecido em 1998), merece a visita dos mais curiosos e aventureiros.

 Por fim, o Miradouro da Bemposta permite observar como o Rio Douro atravessa o planalto transmontano num espetáculo natural onde vai querer demorar-se e que, certamente, vai querer eternizar em forma de fotografia. Vá com a sua cara metade e leve uma garrafa de vinho do Douro para saborearem enquanto aproveitam o pôr do sol, tatuando assim um momento único na memória.

O Douro Internacional é um vale profundo e de margens escarpadasO Douro Internacional é um vale profundo e de margens escarpadas
Deslumbre-se com as paisagens maravilhosas que poderá ver num miradouroDeslumbre-se com as paisagens maravilhosas que poderá ver num miradouro

A riqueza da fauna e da flora

Para além dos miradouros que oferecem vistas absolutamente únicas sobre o Douro Internacional - que mais parecem saídas das mãos de um pintor de renome -, é importante referir que toda a extensão do Parque Natural do Douro Internacional é muito rica em fauna e flora. Assim, na vegetação destaca-se a azinheira (sendo que os locais lhe chamam “Carrasco”), o zimbro, os sobreiros e o carvalho-negral. Já na fauna, esta é uma área crucial na conservação da avifauna rupícola de que são exemplos o Abutre do Egipto, Águia de Bonelli, a Cegonha Negra e o Grifo.

Consequentemente, um dos melhores lugares para conseguir avistar alguma destas aves - planando livres e majestosas sobre o Vale Encantado do Douro - é o Miradouro do Penedo Durão (em Freixo de Espada à Cinta), uma vez que os locais de nidificação do Abutre do Egipto e da Cegonha Negra ficam bastante próximos ao Miradouro. A cereja no topo do bolo é a magnífica vista, perfeita para se assumir como palco de um piquenique regado com um delicioso cálice de Porto, qual néctar dos Deuses.

 

Embarque num inesquecível Cruzeiro rumo a Barca D’Alva

Também a bordo de um Cruzeiro, nesta zona, são muitas as pessoas que avistam as aves de rapina, chegando mesmo a fotografá-las em pleno voo. E, poucas experiências são tão inesquecíveis como fazer um Cruzeiro avistando o Douro Internacional a partir do Rio. Paisagens únicas e selvagens qual ode à natureza (apenas possíveis de contemplar a partir do Rio Douro) e uma sensação de paz incrível são algumas das coisas que fazem valer a pena subir a bordo de um Cruzeiro no Douro.

Sugerimos-lhe, por isso, que embarque no Cruzeiro que sai do Porto com destino a Barca D’Alva. A pequena aldeia está inserida no maravilhoso Parque Natural do Douro Internacional e determina o limite do Douro em território português. Sim, dali já se avista Espanha.

Embora pequena, Barca D’Alva sempre se assumiu como refúgio de nacionais e estrangeiros - que nela encontram uma paz inesquecível e um quadro natural arrebatador - e também do escritor Guerra Junqueiro. É fácil perceber porquê. Os olivais, laranjais e amendoais fazem da aldeia um lugar pitoresco que apetece visitar e contemplar. Aliás, as amendoeiras de Barca D’Alva oferecem, todos os anos, um dos mais bonitos espetáculos naturais do nosso país. É que, quando as amendoeiras se enchem de flor, pintam de branco, rosa e lilás uma paisagem já de si encantadora.

Assim, são muitos os que se juntam, todos os anos (em finais de fevereiro e meados de março), para fotografar este cenário maravilhoso, capaz de cortar a respiração até aos menos impressionáveis.

Historicamente, Barca D’Alva é também uma aldeia importante. Aquando da construção da ligação ferroviária a Espanha, foi um importante centro de passagem, internacionalizando o Douro. Afinal, a linha do Douro era, na época, a mais direta ligação entre o Porto e o resto da Europa.

Contudo, não tardaram a acabar esses tempos áureos. Quando Espanha decidiu encerrar o troço, em 1985, perdeu-se a ligação internacional de Barca D’Alva. Consequentemente, em 1988 encerrou-se o último troço desta linha que ligava o Pocinho à fronteira.

Atualmente desativada, a Estação de Barca D’Alva ainda resiste, apesar de abandonada. E é bastante visitada, sobretudo por aqueles que se aventuram em caminhadas por este troço da Linha do Douro. Famoso pelas belíssimas paisagens, tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos, que não temem os cerca de 29 quilómetros de caminhada. Ao longo do caminho são muitas as paisagens deslumbrantes, com penhascos capazes de impor respeito, túneis neles cravados e o Rio Douro, plácido, a reclamar a paz que faz sentir a todos aqueles que o contemplam.

Voltando ao Cruzeiro, o programa de dois dias inclui ainda uma visita a uma das mais emblemáticas quintas durienses, prova de vinhos e uma visita ao Pocinho. Ou seja, é um programa repleto de boas experiências e belíssimas paisagens que vão desde o Alto Douro Vinhateiro (onde os socalcos com vinhedos são a perder de vista, qual testemunho da comunhão entre o Homem e a Natureza), até um Douro mais selvagem, no Douro Internacional, onde os únicos barulhos são do vento e das aves de rapina. Prepare, por isso, a máquina fotográfica. Para além de levar a alegria destes dois dias na memória e no coração, vai querer mostrar aos seus amigos e familiares como o norte do país é riquíssimo em paisagens de cortar a respiração.

Escarpas imponentes em Barca D'AlvaEscarpas imponentes em Barca D'Alva
O nosso cruzeiro inclui também uma visita ao PocinhoO nosso cruzeiro inclui também uma visita ao Pocinho

O Douro Internacional e o Mirandês

A pé, e seguindo a Linha do Douro, são 40 quilómetros até Figueira de Castelo Rodrigo que já faz parte do Douro Internacional. Deste modo, importa mencionar que, ao todo, o Parque Natural do Douro Internacional tem uma extensão de 85150 hectares que contemplam desde as arribas do Douro e do seu afluente Águeda, até ao planalto mirandês, passando pelas cerradas florestas de Mogadouro e pelo Alto Douro Vinhateiro.

E, por falar no planalto mirandês, Miranda do Douro caracteriza-se, tal como Mogadouro e Vimioso, por abraçar o mirandês como segunda língua oficial. Não é, por isso, de admirar que várias placas destes lugares se encontrem escritas nessa língua, e não no português que todos conhecemos. Ao todo, estima-se que a língua seja falada por cerca de 15000 pessoas.

Miranda do Douro, uma bela cidade com origem medievalMiranda do Douro, uma bela cidade com origem medieval
Um Douro selvagem, mesmo na fronteira entre Portugal e EspanhaUm Douro selvagem, mesmo na fronteira entre Portugal e Espanha

Aproveite o bom tempo e reserve já o seu lugar no Cruzeiro com destino a Barca D’Alva. Para além de uma experiência singular, viverá momentos únicos, levando do Douro toda a riqueza e paz de que uma região tão bela quanto única dispõe. Preparado para partir à aventura e conhecer a região mais bonita do país?

Catarine Martins

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