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Personalidades Históricas ligadas ao Douro

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A Região do Douro viu nascer figuras ilustres da História portuguesa.

A Região do Douro viu nascer personalidades ilustres desta grande aldeia que é Portugal. Genuinidade, respeito pela Natureza, espírito de sacrifício e de trabalho e, sobretudo, tenacidade são características comuns a quem nasceu nesta magnífica região que é o Douro.

 

A grande viagem de Fernão de Magalhães: do Douro para o Mundo

Era português e amava o mar. Chamava-se Fernão de Magalhães e pensa-se que nasceu em Sabrosa, região do Douro (1480-1521). O seu nome é hoje conhecido em todo o Mundo por ter sido o navegador que planeou e, em parte, realizou a primeira viagem à volta da Terra, provando que existia ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico e que o Planeta é redondo e não achatado, como se acreditava na época. Espírito vivo e curioso, recolheu muitas informações sobre as rotas e o comércio no Extremo Oriente. Participou em campanhas militares no Norte de África, mas desgostou-se com o rei português D. Manuel I, devido aos seus serviços não serem reconhecidos como julgava merecer. Foi então viver para Espanha onde apresentou ao rei o seu ambicioso plano de encontrar uma passagem no continente americano que permitisse dar a volta ao Mundo por mar. Tendo conseguido que o projeto fosse aprovado, largou de Sevilha em 1519, com uma armada de cinco naus, em que participaram vários marinheiros e pilotos portugueses. Foi uma viagem cheia de incidentes e aventuras (tempestades, doenças a bordo, motins entre a tripulação…). Mas a esperada passagem que permitia atravessar o continente americano acabaria por ser encontrada, sob os gritos de alegria dos marinheiros. O estreito entre a América meridional e a Terra do Fogo receberia o nome do navegador português: estreito de Magalhães (no atual Chile).

 

Quando chegaram ao arquipélago das Filipinas e todas as dificuldades pareciam estar vencidas, Fernão de Magalhães foi atingido por uma flecha envenenada sob as lanças inimigas dos indígenas, acabando assim ingloriamente o sonho de abraçar o mundo numa só viagem. A expedição continuaria o seu rumo, vindo a aportar em Espanha em 1522. Dos cerca de 250 tripulantes que tinham iniciado a viagem, apenas 18 regressaram a casa… Fernão de Magalhães é hoje considerado o primeiro globalizador mundial e a sua Casa pode ser visitada em Sabrosa, distrito de Vila Real. Contacte a Cruzeiros Douro para realizar um Tour nesta região e fique a saber mais sobre esta lendária viagem.

 

A lendária Dona Antónia Ferreira, a “Rainha do Douro”

O Vinho do Porto deve muito a esta mulher que ficou conhecida como a “Ferreirinha” e “mãe dos pobres”, uma empresária de raro sucesso, numa época e num setor exclusivamente dominados por homens. Figura incontornável do Alto Douro Vinhateiro, Antónia Adelaide Ferreira nasceu no Peso da Régua em 1811, no seio de uma família abastada e com créditos firmados no cultivo da vinha. Por diligência paterna, foi destinada a casar com um primo que nunca se interessou pelos negócios e que estragou parte do património familiar. Enviuvou cedo, aos 33 anos, sendo já mãe de dois filhos. A viuvez precoce despertou em si a vocação de empresária, levando-a a assumir a liderança da Casa Ferreira, fundada pelo seu avô, Bernardo Ferreira, por ordens do Marquês de Pombal.

A “Ferreirinha” é, sem sombra de dúvida, a maior personalidade na história do Vinho do Porto. Abriu estradas em ruas praticamente desertas, criou novas instalações de produção e construiu um legado inestimável, recebendo o justo apelido de “Senhora do Douro”. Na tentativa que as quintas do Douro não caíssem nas mãos dos ingleses, adquiriu-as uma a uma e, mais tarde, devolveu-as aos antigos proprietários por um preço simbólico. Quando a região do Douro foi atingida pela filoxera, doença que secava e matava as raízes das videiras, D. Antónia deslocou-se a Inglaterra para se informar sobre os meios mais modernos e eficazes para combater a praga. Ao mesmo tempo que lutava contra a indiferença dos sucessivos governos portugueses em relação à produção vinícola nacional, D. Antónia adotou processos mais sofisticados de produção do vinho e investiu em novas plantações de vinhas. A solução passou por utilizar raízes de videiras americanas, imunes ao ataque da filoxera.

 

Detentora de uma grande fortuna e de dezenas de quintas na região do Douro – com destaque para a Quinta do Vesúvio, a mais famosa das suas propriedades –, esta mulher visionária desenvolveu, ao mesmo tempo, trabalhos de assistência social e financiou a construção de escolas e dos hospitais de Vila Real, Régua, Moncorvo e Lamego, numa dimensão tal que a sua memória ainda hoje é venerada.

 
Antónia Ferreira, símbolo de altruísmo e de generosidade, é ainda hoje uma figura de grande carisma do Douro. Antónia Ferreira, símbolo de altruísmo e de generosidade, é ainda hoje uma figura de grande carisma do Douro.
Contacte-nos para conhecer as Caves Ferreira, em Vila Nova de Gaia, e delicie-se com uma maravilhosa prova de vinhos. Contacte-nos para conhecer as Caves Ferreira, em Vila Nova de Gaia, e delicie-se com uma maravilhosa prova de vinhos.

Tal talento, não só para lidar com o negócio do vinho – da produção à comercialização – mas em proporcionar um avanço nas condições sociais da sua região, fez de Antónia Ferreira um exemplo de mulher arrojada e empreendedora que conseguiu superar os limites impostos para uma viúva na machista sociedade portuguesa do século XIX. Faleceu aos 85 anos, na Quinta das Nogueiras, em 1896.

 

O Douro de Miguel Torga

Miguel Torga (1907-1995), natural do Douro, era fascinado por esta região, tendo enaltecido na sua obra a grandeza e beleza paisagística do rio e do vale que o rodeia.  O famoso escritor nasceu em 1907 em São Martinho da Anta, antiga freguesia do concelho de Sabrosa. Miguel Torga é o pseudónimo adotado por Adolfo Correia da Rocha para assinar a sua obra literária. O nome Torga é uma homenagem à planta urze, também conhecida como “torga”, que existia em grande número na terra natal do escritor. O escritor batizaria a região de Trás-os-Montes como o Reino Maravilhoso e é este o Douro que Miguel Torga enaltece através dos seus poemas:

«O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir (…). Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar (...). Um poema geológico. A beleza absoluta.»

Miguel Torga em "Diário XII"

 

Ponte Miguel Torga, contruída em 1997 para homenagear o famoso escritor, natural da região.Ponte Miguel Torga, contruída em 1997 para homenagear o famoso escritor, natural da região.

Miguel Torga tinha uma profunda relação com a montanha e o rio Douro, que considerava uma verdadeira força da Natureza:

 

DOIRO

Corre, caudal sagrado,
Na dura gratidão dos homens e dos montes!
Vem de longe e vai longe a tua inquietação...
Corre, magoado,
De cachão em cachão,
A refractar olímpicos socalcos
De doçura (…)

 

Um dos locais preferidos de Miguel Torga na região era o Miradouro de S. Leonardo da Galafura. Um dos locais preferidos de Miguel Torga na região era o Miradouro de S. Leonardo da Galafura.

Torga deslocava-se várias vezes a este local para contemplar a paisagem, ver o Douro e sentir a Natureza. A beleza da paisagem fascinava o poeta e servia de inspiração para a sua obra.

 

Após a sua morte, a Região do Douro homenageou o escritor com a construção da Ponte Miguel Torga, na cidade da Régua, em 1997. A ponte, da autoria do engenheiro Armando Rito, tem 900m de extensão e é uma notável obra de engenharia. Contempla esta ponte, em todo o seu esplendor, num magnífico Cruzeiro Porto-Régua-Porto.

Algumas personalidades históricas portuguesas encontram-se ligadas ao Douro por nascimento. Outras destacam-se pelos importantes feitos na Região. Eis alguns exemplos:

 

Marquês de Pombal, o fundador da Região Demarcada do Douro

No século XVIII, a vitivinicultura, tal como outros aspetos da vida nacional, sofreu forte influência da personalidade do Marquês de Pombal, Primeiro-Ministro do Rei D. José I. Em primeiro lugar, uma grande região beneficiou de uma série de medidas protecionistas – a região do Alto Douro, com o seu afamado vinho do Porto.

 

Em consequência da fama que este vinho tinha adquirido, verificou-se um aumento da sua procura por parte de outros países da Europa, para além da Inglaterra, importador tradicional. As altas cotações que o Vinho do Porto atingiu fizeram com que os produtores se preocupassem mais com a quantidade do que com a qualidade dos vinhos exportados, o que esteve na origem de uma grave crise. Para garantir a qualidade do vinho e evitar fraudes, o Marquês de Pombal criou, em 1756, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, para disciplinar a produção e o comércio de vinhos da região, prevendo ainda a necessidade de se fazer, urgentemente a demarcação da região, o que veio a concretizar-se. Assim, segundo vários investigadores, o Douro terá sido a primeira região vinícola do mundo oficialmente demarcada. Entre 1757 e 1761 foram colocados marcos de granito delimitando geograficamente a região. Alguns destes marcos, chamados de “marcos Pombalinos”, podem ser vistos ainda hoje espalhados pelas Quintas do Douro.

 

Barão de Forrester, o escocês que amava o Douro

Joseph James Forrester, nasceu em Hull, na Escócia, em 1809. Sobrinho de um grande comerciante do Vinho do Porto, veio para o Porto muito jovem e cedo se apaixonou pela região do Douro. A sua paixão era tal que solicitou a construção de um refinado e luxuoso barco, um barco-rabelo exclusivamente construído para si, onde servia requintados banquetes aos seus amigos.  Tornou-se num homem distinto, de grande cultura, deixando uma extensa obra bibliográfica. Foi também poeta e aguarelista, tendo pintado o Douro em algumas das suas obras. Além dos inúmeros mapas da região demarcada, foi o autor do importante mapa “O Douro Português”, traçando o curso deste rio desde a fronteira espanhola até à Foz. Este excecional trabalho fez com que D. Fernando II, em 1855, lhe atribuísse o título de Barão, honra pela primeira vez concedida a um estrangeiro.

 

Atualmente, as águas do rio Douro são calmas e tranquilas. No entanto, este rio nem sempre foi tão amável: antes da construção das barragens, as suas águas corriam desenfreadas em direção ao mar. As águas agitadas do rio lembram duas das mais mediáticas figuras da história do Douro e do Vinho do Porto: D. Antónia Adelaide Ferreira e o Barão de Forrester. No dia 12 de maio de 1831, ambos saíram num barco rabelo da Quinta do Vesúvio, da qual D. Antónia Adelaide Ferreira era proprietária, em direção à Régua. No entanto, ao passarem no Cachão da Valeira - um obstáculo natural intransponível que dificultava imenso a navegação no Rio Douro -, o barco rabelo sofreu um naufrágio. Conta a lenda que a Ferreirinha se salvou devido às suas volumosas saias, que a permitiram flutuar e chegar em segurança à margem do rio. Já o Barão de Forrester acabou por se afogar devido ao peso do cinto com dinheiro que transportava consigo. O empresário acabaria, assim, por ser vítima da sua paixão - o Douro – ficando sepultado no lugar que mais o impressionava.

Barão de Forrester, era um verdadeiro apaixonado pela Região do Douro.Barão de Forrester, era um verdadeiro apaixonado pela Região do Douro.

Com a construção de barragens, a partir da década de 60 do século passado, conseguiu regularizar-se as águas do rio. Embarque no Cruzeiro Porto - Pocinho – Porto, conheça a Barragem da Valeira e sinta bem de perto esta experiência tão emocionante e única!

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