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O Verdadeiro Natal Duriense: O Melhor da Gastronomia

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Conheça as deliciosas iguarias tradicionais do Douro para o Natal.

Catarine Martins

Catarine Martins

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Que o Douro é uma das mais bonitas e especiais regiões do nosso país, já todos sabemos. Mas é no Natal, quando as gentes da terra, curiosos e turistas se unem à volta da mesa para celebrar, que o Douro ganha ainda mais encanto.

É que, para além das majestosas paisagens de cortar a respiração que inspiram todos os que as contemplam, e dos vinhos que, de tão deliciosos ficaram famosos nos quatro cantos do mundo, qual néctar dos deuses, a região duriense é também muito rica em pratos tradicionais que ganham novos sabores pela altura do Natal.

Sim, a gastronomia do Douro é um dos tesouros mais bem guardados da região. Venha, por isso, descobri-la e viva um Natal com ainda mais magia.

 

O melhor da gastronomia duriense no Natal

O Douro é uma região feita de tradições e, como tal, na noite da consoada, o que mais se come nas casas e hotéis durienses é, como já seria de imaginar, o bacalhau cozido com batatas e couves.

Mas também o polvo faz parte da tradição duriense, podendo ser cozido ou confecionado em filetes, dependendo dos gostos de cada família.

Em Lamego, uma cidade do Douro que guarda verdadeiros tesouros gastronómicos e paisagens de tirar o fôlego, não pode faltar à mesa de Natal a típica Bôla de Lamego. Esta é uma iguaria tradicional que remonta aos tempos da aclamação como rei de D. Afonso Henriques, e que perdura até hoje como um dos sabores da terra.

Nesta época do ano é habitual que seja recheada com bacalhau. Contudo, dependendo da casa, encontrará também à mesa uma bôla de carne ou de presunto que, acompanhada de um bom vinho, antes do jantar propriamente dito, se torna divinal.

Igualmente, para todos os que não gostam de bacalhau cozido nem de polvo, uma alternativa que se come muito na véspera de natal duriense é o bacalhau, a pescada e o congo fritos.

E, se todas estas iguarias não fossem já suficientes para nos despertar o apetite e nos fazer querer ir até ao Douro pelo Natal, temos uma curiosidade interessante para partilhar consigo: nas aldeias e cidades mais tradicionais desta inigualável região, é costume não se levantar a mesa da consoada até ao dia seguinte, para que as alminhas e os anjos possam deliciar-se noite adentro, fazendo jus às crenças populares de outrora.

Já no dia seguinte, o almoço regado a bom vinho costuma ser canja de galinha rústica, seguido de roupa velha, feito a partir das sobras do bacalhau da noite anterior.

Mas, em algumas mesas, o cabrito assado (prato típico da região duriense) é rei, também no dia de Natal. Afinal, as carnes dos animais da região são muito apreciadas pelas gentes da terra, e este é um dos pratos mais tradicionais do Douro.

Certo é que, escolha-se carne ou peixe, o prato principal é sempre regado ao sabor do incomparável vinho duriense, proporcionando maravilhosos e inesquecíveis momentos em família.

 

Os doces natalícios do Douro

É claro que não é possível falar de gastronomia natalícia sem falar de doces, sobretudo numa região onde bons doces e sobremesas típicas não faltam.

Assim, nas mesas durienses, para além de encontramos os tradicionais doces de natal como o leite de creme, arroz doce, rabanadas, filhoses, sonhos, pão de ló e farófias, vamos também encontrar, por exemplo, o doce dourado.

Esta é uma sobremesa típica da cidade de Peso da Régua que, com origem conventual, conquista o paladar de turistas e gentes do Douro. Feita a partir de amêndoas da região, miolo de pão, ovos, manteiga e açúcar, o doce dourado é uma sobremesa deliciosa, sobretudo porque é ainda perfumado com limão e água de flor de laranjeira.

Como está a imaginar, é mesmo irresistível. Sim, uma daquelas sobremesas de “comer e chorar por mais”.

É servido quente e pode, claro, ser acompanhado por um delicioso cálice de Porto.

Também as Brisas do Tâmega têm lugar na mesa de natal, sobretudo em Amarante, de onde este doce conventual é originário.

E, claro, em muito poucas mesas faltam as Cavacas de Resende, um doce típico duriense confecionado a partir de apenas três ingredientes: ovos (das galinhas da região), farinha e açúcar.

Se degustadas com um cálice de Porto, tornam-se uma experiência gastronómica memorável, que o fará sorrir sempre que se recordar.

Mas, é ao bolo rei de Tabuaço, uma encantadora vila duriense, que cabe o papel principal, na mesa de natal de qualquer casa do Douro. Considerado o melhor bolo rei do país, é feito com frutos secos da região, como amêndoas, nozes e avelãs, e decorado também com frutas cristalizadas durienses.

Há quem goste de acompanhá-lo com vinho quente aromatizado com especiarias, mas se preferir pode harmonizá-lo com vinho do Porto porque resulta deliciosamente bem.

O bolo rei é obrigatório em qualquer mesa de Natal portuguesa.O bolo rei é obrigatório em qualquer mesa de Natal portuguesa.
As cavacas de Resende são um doce típico do Douro.As cavacas de Resende são um doce típico do Douro.

Tradições natalícias curiosas do Douro

Embora a gastronomia que impera nas casas durienses no Natal seja tradicionalmente rica, nem só de (bons) sabores se faz o Natal nesta magnífica região.

Há também algumas tradições centenárias que oferecem ainda mais magia a esta altura do ano.

Uma delas ocorre na noite de dia 24 na vila de Sendim, em Miranda do Douro, junto à Igreja Matriz. Ali, populares e curiosos juntam-se para ver uma enorme fogueira que é ateada com a ajuda de todos, ao som de gaitas de foles.

Quando as chamas ganham vida e se lançam rumo ao céu, começa uma ronda pelas ruas adjacentes com um peditório para angariar dinheiro para a festa, a partir da compra e venda de acessórios para aquecer a noite fria de inverno (como gorros, luvas e cachecóis).

Consequentemente, aqui a noite de consoada vive-se mais na rua do que em casa. E, em boa verdade, deliciosos petiscos regionais não faltam, bem como o delicioso vinho do Douro, como já seria de esperar.

À meia noite, todos se juntam na igreja para assistir à tradicional Missa do Galo e depois há música ao vivo pela noite adentro, para quem quiser ficar a ser aquecido pela fogueira.

Também em Alijó, a Missa do Galo é tradição e, em alguns anos, também se faz a fogueira para aquecer os mais corajosos e religiosos.

 

Como vê, boas razões não faltam para viajar até ao Douro naquela que é uma das alturas mais mágicas do ano: o Natal.

Para além das deliciosas iguarias, poucas coisas sabem melhor do que sentir a paz duriense na estação fria e contemplar uma paisagem belíssima que se perde de vista, e que já inspirou escritores, cantores, famosos e anónimos.

Catarine Martins

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